Com o Congresso Nacional em recesso branco durante boa parte do segundo semestre devido às eleições municipais, a esfera judiciária ganhou os holofotes em Brasília nos últimos meses. Após agenda cheia na cidade nos últimos dias, em que teve que bancar junto ao governo a lei de inviolabilidade dos escritórios de advocacia, o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, se mostrou satisfeito com o desfecho dado à iniciativa. Britto, contudo, não poupa críticas ao que ele considera como abusos das forças de investigação policial do Estado e vê, preocupado, um renascimento do autoritarismo no País. Segue a entrevista concedida por Cezar Britto à Gazeta Mercantil:
Gazeta Mercantil - Como o senhor avaliou o veto parcial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à lei da inviolabilidade dos escritórios de advocacia, que vinha sendo defendida pela OAB?
R- Os dois vetos em nada prejudicaram o sentido da lei e a tese da OAB. A nova lei estabelece que a defesa é um direito do cidadão, devendo por ela efetivar o advogado. Reconhece expressamente que os escritórios são invioláveis, seus instrumentos de trabalho, suas comunicações e tudo aquilo que for relacionado ao advogado e seu cliente. Esta era a posição inicial da OAB e que prevaleceu junto ao Congresso Nacional e à Presidência da República. Outro fato referente à nova lei é que não se poderia permitir, sob o manto da inviolabilidade, que o advogado, ou que o criminoso portador da carteira de advogado, recebesse habeas corpus preventivo para a prática do crime. A lei fez a separação do joio do trigo. O relacionamento do advogado com o cliente é inviolável, mas se o portador da carteira de advogado cometer um crime, deve ser investigado como qualquer cidadão normal. Os vetos não modificaram esse raciocínio. Pode-se até argumentar que aperfeiçoaram.
P- Gazeta Mercantil - E as críticas de que a lei abriria brechas para que criminosos escondam provas em escritórios de advocacia?
R- As críticas foram extremamente injustas, dignas de quem não leu o projeto ou não o compreendeu. Em nenhum momento a lei tornava o escritório um instrumento livre para o crime. Até porque o advogado não exerce atividade criminosa. O crime é incompatível com a advocacia. Parte das críticas eram fundadas numa lógica autoritária de que o Estado tem o poder de investigar, bisbilhotar, processar e condenar o cidadão sem que ele pudesse exercer livremente o seu direito de defesa. Numa democracia, o cidadão é mais importante que o Estado. Tanto assim que, se vetado fosse o projeto, a OAB não teria dúvida em afirmar que a lógica policial preponderou sobre a lógica da democracia. Graças a Deus, o projeto foi sancionado, demonstrando o compromisso do governo com a Constituição que jurou zelar.
P- Gazeta Mercantil - Como o senhor avalia a polêmica em torno das escutas telefônicas e algumas das conclusões contundentes a que chegou a CPI que investiga o assunto no Congresso?
R- Após a queda das torres gêmeas, o mundo passou a viver um conflito teórico e prático. Começou-se a afirmar que para combater o crime e fornecer segurança ao cidadão necessário se faria a revogação ou redução dos direitos fundamentais conquistados ao longo da humanidade. A partir desse episódio, passou-se a defender, mesmo em países democráticos, a idéia de prisões clandestinas.
PEC 8 valoriza a colegialidade das decisões do STF...
STF: pessoas não concursadas não podem exercer a substituição de cartórios por mais...
Lula assina MP que tributa aplicações financeiras no exterior...
TJ-BA celebra o centenário da morte de Ruy Barbosa com realização de seminário...
Corregedor do CNJ extrapola poder em suspensão de perfis de juízes das redes sociai...
STF decreta prisão preventiva de investigados por vandalismos, violência e atos ant...
Medida provisória zera PIS e Cofins do setor aéreo...
Comissão do Senado debate e aprova sugestões de mudanças no rito, no alcance e nos ...
STF inicia julgamento sobre regra que posiciona membro do MP ao lado do juiz...
Lei de Direitos Autorais não se aplica à criação de formato gráfico para buscas na ...
Câmara Municipal de Salvador não pode reeleger os seus dirigentes mais de uma vez, ...
Ministro Barroso suspende eficácia imediata do piso salarial da enfermagem e pede e...
Efeitos da reforma da Previdência repercutem no Orçamento do ano que vem...
Supremo retoma sessões plenárias com sessão nesta segunda-feira, às 15h...