Parlamentares da oposição e governistas na CPI do Cachoeira deverão dispensar o depoimento do procurador-geral, Roberto Gurgel, quando o requerimento para que ele vá à comissão chegar para votação.
O PT, que na semana passada insistia em ter esclarecimentos de Gurgel, passou a defender uma explicação por escrito do procurador, linha já adotada pelo relator da CPI, Odair Cunha (PT-MG).
Gurgel é criticado por parlamentares por ter deixado de investigar em 2009, na Operação Vegas, a ligação do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) com o grupo de Carlinhos Cachoeira.
O depoimento dele agora é cobrado apenas por vozes minoritárias na comissão, como o senador Fernando Collor (PTB-AL) que, ontem, voltou ao tema, agora exigindo a presença também da mulher de Gurgel, a subprocuradora Cláudia Sampaio.
O Painel da Folha revelou anteontem que ela atribuiu à Polícia Federal parte da responsabilidade pelo adiamento das investigações.
Segundo Sampaio afirmou "o doutor Raul [Alexandre Souza, delegado da PF] foi categórico ao pedir para esperar, para não atrapalhar investigações em curso".
A versão contradiz o depoimento de Souza, que disse à CPI que foi Sampaio quem decidiu sustar a investigação da Vegas por conta própria, alegando falta de provas.
Ontem, em nota, a PF também contradisse a versão da Procuradoria ao afirmar que o delegado não pediu a Sampaio que ela não enviasse a investigação ao STF.
A votação de 176 requerimentos que estão retidos pelo comando da CPI está prevista para quinta-feira, mas deve ser antecipada, já que o Supremo Tribunal Federal decidiu adiar o depoimento de Cachoeira, que estava previsto para hoje.
A maior divergência entre base e oposição na CPI é se ela apura ou não os negócios da Delta, incluindo tomar ou não o depoimento de seu dono, Fernando Cavendish.
A base governista, que corresponde a cerca de 80% dos membros da CPI, tende a cerrar fileira contra a quebra do sigilo da empresa e impedir o depoimento de Cavendish.
"Não há nenhum indício de envolvimento da Delta nacional com o grupo criminoso de Cachoeira. Não podemos perder o foco das investigações", disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).
O PT iria discutir pontos controversos da CPI em uma reunião de bancada convocada para a noite de ontem.
"Quem não votar pela convocação de Cavendish e contra a quebra dos sigilos da Delta não está votando no interesse da República", disse o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (SP).
Os deputados Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) e Carlos Sampaio (PSDB-SP) dizem não abrir mão de investigação completa sobre a Delta.
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