A exoneração do diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Rodrigues Vieira, foi publicada no "Diário Oficial da União" desta sexta-feira (7). Vieira pediu demissão do cargo nesta quinta-feira (6).
Segundo o advogado Pierpaolo Bottini, Vieira entregou o pedido no gabinete da presidente Dilma Rousseff. Ele disse que a saída ocorre por "motivos pessoais".
Vieira foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Porto Seguro, que investiga um suposto esquema de fraude de pareceres técnicos de órgãos públicos com a finalidade de beneficiar empresas privadas. Uma semana depois, ele obteve a liberdade na Justiça. O diretor foi afastado do cargo depois que a presidente Dilma Rousseff determinou a exoneração ou o afastamento dos servidores envolvidos.
A operação Porto Seguro resultou em pelo menos 18 pessoas indiciadas pela PF (a maioria, servidores públicos), das quais seis presas.
Nesta quinta, o diretor-geral da ANA) Vicente Andreu Guillo, afirmou, em audiência no Senado, que Vieira chegou a cogitar assumir o cargo de ministro do Meio Ambiente.
"Era uma pessoa ambiciosa, mas do tipo de pessoa que queria alçar outros vôos. Falava muito em ser candidato, tinha pretenções eleitorais, chegava a mencionar que estava sendo cotado para ser ministro, esse tipo de arroubos que a gente tinha que lidar. Ele chegava a cogitar que iria ser ministro do Meio Ambiente", disse o diretor-geral da ANA.
Paulo Vieira é apontado pela PF como "chefe" do grupo que supostamente cooptava servidores públicos para fraudar pareceres técnicos e beneficiar empresários.
Segundo o diretor-geral da ANA, não havia suspeitas sobre Vieira. "Nenhuma desconfiança de que ele era uma pessoa delituosa", disse.
Indicação
O nome de Vieira para o cargo na ANA foi apresentado ao Senado pela primeira vez em 2009, ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, a indicação foi rejeitada pelo Senado. Havia questionamentos sobre a capacidade técnica de Vieira para o cargo. Em 2010, o nome de Paulo Vieira foi novamente enviado para o Senado, e a indicação foi aprovada.
O requerimento pedindo que a rejeição fosse anulada foi apresentado à Mesa da Casa pelo senador Magno Malta (PR-ES). Em abril de 2010, o então líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu a "revotação da indicação".
A votação foi levada para plenário pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no dia 14 de abril de 2010, quando o nome de Vieira foi aprovado.
Paulo Vieira foi denunciado por Cyonil da Cunha Borges, que, até 2011, era auditor do Tribunal de Contas da União. No começo do ano passado, o ex-auditor do Tribunal de Contas procurou a Polícia Federal e devolveu R$ 100 mil, supostamente recebidos a título de propina. Segundo Borges, ele teria recebido o valor de Paulo Vieira.
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