Notícias

Filho de Maurício Marinho se defende de acusações em CPMI

27/01/2006 | 25226 pessoas já leram esta notícia. | 30 usuário(s) ON-line nesta página
 

Em depoimento prestado nesta quinta-feira, à Sub-Relatoria de Contratos da CPMI dos Correios, o analista de sistemas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) Maurício da Silva Marinho chorou ao admitir que o pai dele é hoje "o símbolo da corrupção no Brasil". O depoente é filho do ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT Maurício Marinho, flagrado ao receber R$ 3 mil de propina supostamente destinada ao PTB e primeiro personagem do escândalo de corrupção da crise iniciada em 2005.
Maurício da Silva Marinho disse que a família dele está unida, garantiu que o pai tem um único bem (um apartamento) e que viverá para ver o dia "em que a Justiça vai prevalecer e os verdadeiros símbolos da corrupção serão punidos".

Irregularidades
Entre agosto de 2004 e julho de 2005, Maurício da Silva Marinho gerenciou a Divisão de Endereço Eletrônico do Departamento de Negócios e Operações na Internet dos Correios. Ele é acusado, em investigações do Tribunal de Contas da União, de ter cometido uma série de irregularidades durante sua gestão. "Se houve falhas no contrato que eu gerenciei, e eu acredito que não tenha havido, eu garanto que não foi por má-fé".
Entre os problemas apontados pelo TCU, está o da não cobrança de uma multa de R$ 18 mil à Brasil Telecom, empresa cujo contrato de serviço de endereço eletrônico estava sob responsabilidade de Maurício da Silva Marinho. Maurício negou a irregularidade e disse ainda que, até assumir a gerência, empresas fornecedoras nunca haviam sido multadas por falhas no serviço prestado. Ele afirmou que foi o primeiro gerente a sugerir a aplicação de uma multa. Segundo o funcionário, a indicação da multa foi feita ao Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, então dirigido por seu pai, Maurício Marinho.
O pedido, explicou, teria sido indeferido porque não havia assinatura do chefe do Departamento de Negócios e Operações na Internet, Antonio de Paula Braquehais. Maurício da Silva Marinho disse ter refeito a sugestão de multa, formalizando o pedido a Braquehais. Daí em diante, porém, ele afirmou desconhecer o andamento do processo, que acreditava ter sido resolvido.

Multas reduzidas
Outra falha de contrato apontada pelo TCU foi a redução do valor de duas multas aplicadas também à Brasil Telecom por interrupção no serviço de cadastramento de usuários.
Segundo Maurício da Silva Marinho, quando a gerência decidiu reduzir a cobrança em cerca de R$ 30 mil, ele não respondia mais pela sessão, mas ainda participou de duas reuniões com a Brasil Telecom por ter sido o responsável pelo início do processo.
Ele informou que a decisão de reduzir os valores partiu de Braquehais e do atual responsável pela divisão, Alex Nascimento, mas que concordou com a alteração depois da argumentação técnica apresentada pela empresa de telecomunicações. O depoente descartou a possibilidade de Braquehais ou Nascimento terem recebido propina para reduzir o valor das multas.

Aditivo de contrato
O TCU também questionou o termo de aditamento com a Brasil Telecom, assinado em 21 de janeiro de 2005, e que teria estendido o contrato com a telefônica até janeiro deste ano. Três dias depois da assinatura do aditivo de contrato, os Correios pagaram 600 horas atrasadas de serviços prestados pela Brasil Telecom.
Maurício da Silva Marinho admitiu que essas horas foram pagas com parte do dinheiro previsto no termo de aditamento, que era relacionado exclusivamente ao programa de e-mail gratuito e ao programa "Fale com os Correios".
O sub-relator de contratos da CPMI, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), disse que esse procedimento é "evidentemente irregular" e que os Correios deveriam fazer um contrato de indenização para garantir essas horas não pagas e não um termo aditivo.
No caso da escolha da empresa Mandic, sub-contratada pela Brasil Telecom, para prestação de serviços aos Correios, Maurício da Silva Marinho explicou que avaliou todas as sugestões indicadas pela própria Brasil Telecom e entendeu que a Mandic apresentava a melhor solução técnica com o melhor preço e a maior eficiência. "Eu escolhi a Mandic e, se fosse preciso fazer uma indicação hoje, escolheria essa empresa novamente", garantiu.
Ele afirmou, porém, que a própria Brasil Telecom teria questionado posteriormente a escolha da Mandic por interesse comercial e não técnico. Segundo o funcionário, à época do contrato, a telefônica negociava a compra do provedor de internet IG e pretendia retardar o processo de escolha da sub-contratada para indicar o IG quando esse sistema estivesse sob suas posses.

Assédio moral
No início de seu depoimento, Marinho pediu para não ser responsabilizado por erros que outros cometeram, referindo-se ao pai, e afirmou que vem sofrendo um assédio moral na empresa.
O funcionário dos Correios contou em seu depoimento que, na última terça-feira, foi convidado a participar de uma reunião a portas fechadas com o chefe do Departamento de Negócios e Operações na Internet, Antonio de Paula Braquehais, no qual ele trabalhou, e com duas testemunhas, os funcionários dos Correios Alex Nascimento e Marcos Antônio Rezende. Nesse encontro, Braquehais teria pedido a Maurício da Silva Marinho que detalhasse o depoimento que prestaria hoje na CPMI.
Segundo ele, o encontro não foi formal e Braquehais anotou tudo o que ele disse à mão. Ao final do encontro, o superior de Marinho teria pedido a ele que assinasse todas as anotações.
Maurício da Silva Marinho disse que não assinará os papéis enquanto não receber orientação de advogados. Ele entregou uma cópia desses papéis ao sub-relator de Contratos José Eduardo Cardozo (PT-SP).

Fonte Agência Camara