O governo do Rio realizou hoje (25) um ato simbólico de reparação para 30 ex-presos políticos da ditadura militar e às famílias de dois jovens mortos por policiais militares há pouco mais de uma década. Os ex-presos políticos receberão indenização de R$ 20 mil cada um. As mães dos rapazes assassinados terão direito a R$ 90 mil de indenização, segundo a secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Benedita da Silva.
“A secretaria já havia feito 15 reparações, em maio, e estamos beneficiando mais 30 ex-presos políticos e agora esses dois casos mais recentes”, disse Benedita.
Os casos de Jailton Néri e Wallace de Souza foram denunciados à Corte Interamericana de Direitos Humanos. Em 2001, a Corte responsabilizou o Estado pelas mortes, identificando a ação como discriminatória e racista por parte dos policiais. E determinou que os parantes das vítimas fossem indenizados e os culpados punidos.
Quase 11 anos depois do assassinato do filho Wallace, Ivanilde Telasio dos Santos disse que o pedido de desculpas e a indenização são bem-vindos, mas lamentou que até hoje os policiais responsáveis pela morte de Wallace ainda não tenham sido punidos. “Os policiais continuam na ativa e duvido muito que eles sejam condenados”.
Wallace era soldado do Exército e foi morto pelas costas, na porta de casa, no morro da Babilônia, zona sul do Rio, por policiais militares, em setembro de 1998. A mãe de Ailton, assassinado por policiais em 1992, não quis gravar entrevistas, pois disse que ainda teme por sua vida e a de seus familiares.
Durante o evento, foi criada uma comissão de reparação a ex-presos políticos, com integrante da Ordem dos Advogados do Brasil, da ONG Tortura Nunca Mais, do Conselho Estadual de Medicina e de quatro representantes do governo do estado do Rio de Janeiro. A comissão atenderá a todos os pedidos de indenização. O governador Sérgio Cabral se comprometeu em indenizar até o fim de 2010 todos os ex-presos políticos que tiveram seus direitos violados pelo Estado, durante a ditadura.
“Quero pedir a Benedita e a essa comissão que até 2010 o governo pague a todos aqueles que estão solicitando os seus direitos. Não quero deixar nenhum caso pendente aprovado pela comissão, pois essa não é uma questão financeira, mas sim moral”, afirmou Cabral.
Walter Hermman Laubert era marinheiro quando teve seus direitos caçados pelo Ato Insitucional nº 5 (AI 5) e ficou quase cinco anos preso no presídio da Ilha Grande, hoje já extinto. “Eu e meus companheiros reivindicávamos apenas direitos básicos para nossa classe. Acho que esse pedido de reconhecimento serve para esclarecer esse período, pois a gente faz parte da história, mas você não encontra nos livros e muita gente não sabe porque estivemos presos e das privações por que passamos”.
Flávia Villela
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