Às voltas com dificuldades para acomodar no governo representantes de todos os partidos que o apóiam, Lula já cogita criar uma nova pasta. Batizou-a de Secretaria de Portos e Aeroportos. O titular teria status de ministro de Estado. Recebeu a sugestão da ministra Dilma Roussef (Casa Civil). E gostou da idéia.
Há quatro dias, Lula ofereceu o novo cargo ao PSB. Seria uma compensação pela perda do ministério da Integração Nacional, hoje gerido por Pedro Brito, homem de confiança do deputado Ciro Gomes (PSB-CE). Neste domingo (4), Lula voltou a mencionar, dessa vez em diálogo com um auxiliar, a possibilidade de esticar a Esplanada.
Na conversa com o dirigente socialista, o presidente informou que deve mesmo nomear para a Integração Nacional o deputado Geddel Vieira Lima (BA), do PMDB. Apresentou duas alternativas ao interlocutor. Poderia compensar o PSB com a pasta do Turismo ou com a nova secretaria de Portos e Aeroportos.
Chegaram a discutir nomes para a nova pasta. Fixaram-se em dois: os deputados Márcio França (SP), líder do PSB na Câmara; e Beto Albuquerque (PSB-RS), líder interino do governo. Nesta segunda ou terça-feira, França e Albuquerque serão consultados pela direção do partido sobre o interesse de assumir a nova secretaria.
Lula foi informado, uma vez mais, de que Ciro Gomes, ministro da Integração no primeiro mandato, não quer voltar ao primeiro escalão do governo. Desistiu de insistir. A despeito disso, afirmou que vai prestigiar Ciro nomeando Pedro Brito, o atual titular da Integração, para um cargo de relevo. Mencionou Sudene, Banco do Nordeste ou uma diretoria do BNDES. Como alternativa a Ciro, o PSB pretendia sugerir a Lula a nomeação de Renato Casagrande (SE), líder do partido no Senado. Mas Casagrande, recém-eleito senador, informou que prefere ficar no Legislativo. Daí as cogitações em torno de Márcio França e Beto Albuquerque.
Se levar adiante a idéia de criar a nova secretaria, Lula passará a dispor de 35 subordinados com o título de ministro. São ocupantes de ministérios e de cargos com status ministerial. Nunca na história desse país um governo teve tantos ministros. Ao assumir a presidência, em 1985, José Sarney nomeou 24. Fernando Collor encolheu a Esplanada para 12 ministérios. Itamar Franco esticou-a para 22. Fernando Henrique Cardoso teve 24 ministros no primeiro mandato e 30 no segundo.
Lula aproveitou o domingo para avançar na costura do ministério. No diálogo privado que manteve com seu auxiliar, tornou a dizer que não sabe como encaixar Marta Suplicy (PT-SP) na nova equipe. Repetiu que vai manter na Educação o ministro Fernando Haddad. E disse que não vê razões para desalojar Márcio Fortes, do PP, da pasta das Cidades.
O que fazer com a Marta Suplicy? Lula dá a entender que preferiria não nomear Marta. Admite oferecer-lhe o Turismo. Mas rumina a esperança de que ela não aceite. Elogia a ex-prefeita. Chama-a de “companheira”. Porém, diz que ela se tornou um problema. Impacienta-se com a insistência do PT reivindicar que seja alojada preferencialmente no ministério das Cidades.
De resto, o presidente diz recear que, nomeada, Marta deixe o governo em 2008, para concorrer à prefeitura de São Paulo. Teme também que, tornando-se ministra, ela vire um “alvo” da oposição e mesmo dos partidos governistas, causando-lhe dissabores. Vai discutir o assunto com a direção do PT, que pretende receber nesta semana.
Antes de conceder audiência à cúpula petista, Lula pretende ouvir os seus “amigos” do PT. Chamou para uma conversa, nesta segunda-feira (5), o governador da Bahia, Jaques Wagner. Afora o desassossego proporcionado pelo “problema” Marta, o presidente revela-se disposto a nomear o deputado Walter Pinheiro (PT-BA) para o ministério do Desenvolvimento Agrário e a deputada Iriny Lopes (PT-ES) para a secretaria de Direitos Humanos da presidência.
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