O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (6) que se o país tivesse feito, ao longo dos últimos 50 anos, 20% do que o atual governo fez no combate à corrupção, o Brasil teria alcançado o que se chamou na Itália de Operação Mãos Limpas. Desenvolvida a partir de 1992,a operação revolucionou a política daquele país, combatendo a corrupção.
"O que é importante ter claro é que não existe hipótese de haver uma denúncia e não haver investigação", disse Lula em entrevista coletiva a emissoras de rádio. Ele ressaltou, no entanto, que a Operação Mãos Limpas não resolveu o problema de corrupção na Itália. "No ano passado, nós vimos a corrupção dentro dos clubes de futebol italiano, na loteria", acrescentou.
Lula afirmou que é preciso criar mecanismos para dar mais agilidade à Justiça. "O que nós precisamos é, isso sim, criar mecanismos de inteligência para melhor investigar e permitir, garantir que o Poder Judiciário seja mais rápido no julgamento", de modo a punir efetivamente os culpados e absolver os inocentes.
Sobre o caso do presidente do Senado, Renan Calheiros, Lula disse que, assim como qualquer outro cidadão, ele tem o direito de se defender. "É assim em todo e qualquer lugar do mundo e é bom que seja assim, que seja garantido o direito às pessoas, tanto o direito do acusador, quanto o direito daquele que vai se defender. O que nós queremos é que tenha agilidade nesse processo, que haja justiça para que efetivamente se separe o joio do trigo", completou.
O presidente ressaltou que é importante garantir, na democracia, o direito à defesa. "Como cidadão brasileiro, quando eu não estava aqui na Presidência, mas estava lá no sindicato em São Bernardo, a gente fica torcendo que pegou, pegou, prendeu, prendeu, toma tudo que pegou de volta e está resolvido o problema. E não é assim, não é simples assim e é bom que não seja assim porque é importante que a democracia garanta às pessoas o direito de defesa", afirmou.
Segundo o presidente, no Brasil as pessoas são condenadas antes de julgadas. "Isso é ruim, isso não é bom para mim, não é bom para você, não é bom para o cidadão comum", ressaltou.
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