A demolição parcial do viaduto Guararapes, que desabou na Avenida Pedro I, em Belo Horizonte, foi iniciada na manhã desta segunda-feira (7). Máquinas e operários estão no local para quebrar parte da estrutura. Duas pessoas morreram e 23 ficaram feridas na queda do elevado, ocorrida na quinta-feira (3).
Os trabalhos de remoção da estrutura foram liberados pela Justiça na noite deste domingo (6). No dia anterior, uma decisão do desembargador Adilson Lamounier impedia a demolição com base em um pedido do delegado Hugo e Silva, que preside o inquérito que apura o acidente. A intenção da polícia era preservar a área necessária para a perícia. Ao liberar a demolição parcial, o TJMG determinou que essa área específica permaneça preservada.
A Avenida Pedro I é uma das vias de acesso entre o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, e o Mineirão, onde ocorre o jogo entre Brasil e Alemanha nesta terça-feira (8).
No sábado (5), o coordenador Municipal de Defesa Civil de Belo Horizonte, coronel Alexandre Lucas, explicou que seriam isolados cerca de dez metros no entorno de um dos pilares. "É o perimetro que a perícia entendeu ser fundamental para ela fazer investigação criminal", disse. Durante o desabamento, um dos pilares do viaduto afundou entre cinco e sete metros, segundo engenheiros que acompanham a investigação do acidente.
De acordo com a prefeitura, algumas medidas foram tomadas, como isolamento do entorno e delimitação de um perímetro de segurança, além do monitoramento de prédios e casas. A prefeitura afirma que não será necessário remover moradores do entorno. Bombeiros, Polícia Civil, Coordenadoria de Defesa Civil, representantes da empresa e da prefeitura estão no local.
Na sexta-feira (4), o superintendente de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), José Lauro Nogueira, já havia informado que não haveria implosão e que demolição seria feita de forma "mecânica", isto é, com o uso de máquinas que vão quebrar parte do elevado.
Inquérito de superfaturamento
O desabamento do viaduto Guararapes vai ser incluído em investigação de superfaturamento já conduzida pelo Ministério Público Estadual de Minas Gerais. De acordo com o promotor Eduardo Nepomuceno, o elevado em construção integra um conjunto de obras do BRT/Move que é alvo de inquérito para apurar se houve dano ao erário e enriquecimento ilícito.
Em 2012, o Ministério Público instaurou o inquérito para verificar suspeita de superfaturamento e de fraude nas licitações que envolvem a contração das empresas Delta e Cowan para as obras. Posteriormente, a Delta deixou o consórcio. As supostas irregularidades também são investigadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Minas Gerais.
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