Médicos de todo o Brasil devem suspender o atendimento por meio de planos de saúde que não aceitarem discutir o reajuste da tabela de pagamentos de serviços. Em São Paulo, que concentra um terço dos profissionais do país, a decisão já foi tomada. Eles iniciarão o boicote em 1º de setembro e deixarão de receber conveniados de seis operadoras que não abriram as negociações: Gama Saúde, GreenLine, Abet, Intermédica, Companhia de Engenharia de Tráfego e Notredame.
Sob fogo cruzado, os moradores de São Paulo ficarão sem assistência em seis especialidades médicas. As suspensões funcionarão por meio de rodízio. Durante três dias por semana, uma área fará o boicote. Na primeira, os ginecologistas e os obstetras cruzarão os braços. Eles serão seguidos pelos otorrinolaringologistas, pelos pediatras, pelos pneumologistas e pelos cirurgiões-plásticos. Os anestesiologistas também vão parar a cada semana, mas acompanharão as áreas que estiverem no cronograma.
Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), o movimento pode se estender para outras localidades. "As negociações estão avançadas. Se não houver acordo, profissionais de outros estados planejam parar", informou assessoria da entidade. Os médicos de São Paulo querem que o valor pago por consulta passe para R$ 80. Hoje, varia de R$ 35 a R$ 45, conforme a operadora. Além disso, pedem que os planos regularizem contratos e encerrem as pressões para que haja menos solicitações de exames, internações e outros procedimentos. Os médicos prometem dar continuidade à mobilização até que todas as reivindicações sejam atendidas.
Abusos
As paralisações são mais um capítulo dos protestos iniciados em 7 de abril. No Dia Mundial da Saúde, médicos que atendem por planos de todo o Brasil, sobretudo os do Distrito Federal, cruzaram os braços para reclamar das operadoras que pagam baixos honorários. Além da correção dos valores, eles exigiram uma tabela de preços única com vigência em todo o país.
Já em 18 de abril, não bastasse enfrentar dificuldade e demora para conseguir atendimento, usuários que precisaram de atendimento em Brasília, mesmo com suas mensalidades em dia, se depararam com a cobrança de uma taxa extra de R$ 60 por consulta, posteriormente considerada abusiva e proibida pelo governo. Diante da repercussão, a Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça abriu processo administrativo para investigar irregularidades, o que levou a uma guerra de denúncias entre médicos e operadoras.
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