O reitor da Universidade de Brasília (UnB), Timothy Mulholland, foi intimado a prestar depoimento no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios na próxima quarta-feira (16), para esclarecer possíveis irregularidades em contratos firmados pela universidade com a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico na Área de Saúde (Funsaúde).
O promotor de Justiça Ricardo Souza, do Ministério Público do DF, admitiu que poderá pedir o afastamento doe Mulholland da Reitoria da UnB se, no decorrer das novas investigações, o reitor vier a atrapalhar o andamento das investigações movidas pela instituição, em parceria com o Ministério Público Federal no Distrito Federal.
Ricardo Souza disse que, como nas investigações que levaram ao ajuizamento da ação por improbidade administrativa contra Mulholland e contra o decano de Administração da UnB, Érico Paulo Weldle, na 21ª Vara da Justiça Federal em Brasília, não houve nenhum impedimento ou ação da reitoria para atrapalhar os trabalhos, os promotores e procuradores da República envolvidos nas investigações não pediram o afastamento dessas autoridades dos cargos que ocupam.
O promotor adiantou que, nessa ação em andamento, será investigado o repasse de 2,5% sobre o valor geral do convênio UnB-Funsaúde, de R$ 13 milhões (o que representaria cerca de R$ 415 mil), usados para "despesas de última hora". Teria sido esse dinheiro o usado para a compra de várias canetas Mont Blanc para presentear autoridades, para a realização de festas e compra de passagens aéreas para viagens de caráter particular do reitor e de funcionários da UnB, entre outras
irregularidades.
Segundo Souza, "se o Ministério Público já sabe do destino desses 2,5%, os outros 97,5% estão sendo investigados".
Na ação por improbidade que deram entrada no final da tarde de terça-feira (8), Souza e os procuradores Raquel Branquinho e Rômulo Moreira pediram o ressarcimento integral dos prejuízos causados na reforma e mobília do apartamento funcional do reitor (que eles calcularam em cerca de R$ 470 mil) e na compra de um automóvel para uso exclusivo do reitor (R$ 72 mil), a suspensão dos direitos políticos por até cinco anos, o pagamento de multa civil de até 100 vezes o valor da remuneração recebida por eles e a proibição de contratar com o poder, além do pagamento de indenização por danos morais.
Antonio Arrais
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