Com base na Lei 8.429/92, que trata da repressão aos atos de improbidade administrativa, o Ministério Público Federal em Roraima protocolou na Justiça Federal ação civil pública contra o desembargador Mauro Campello. De acordo com a ação, Campello seria o principal mentor de uma série de irregularidades detectadas no Tribunal Regional Eleitoral de Roraima entre 2003 e 2005, quando ele foi presidente do órgão. Também vão responder à ação Larissa Mendes Campello, Clementina Mendes e Valderlane Maia Martins.
A investigação do MPF mostrou que, enquanto Mauro Campello exerceu a presidência do TRE/RR, os quatro acusados exigiram vantagem indevida de funcionários que tinham cargo em comissão no tribunal. Os funcionários eram obrigados a entregar a Larissa Campello, Clementina Mendes e Valderlane Maia Martins de parte de seus salários, sob a ameaça de perderem os empregos, caso se recusassem a cumprir a exigência.
A forma de como funcionava o esquema foi detalhadamente exposta nos depoimentos prestados pela servidora Célia Maria Bombanati, coordenadora de Recursos Humanos do TRE/RR na época dos fatos. Além de denunciar o mecanismo montado pelos acusados para retirar dos servidores parte de suas remunerações, Maria Célia Bombanati confirmou que era obrigada a entregar metade de seu salário a Larissa Campello, esposa do desembargador. Bombanati informou, ainda, que o valor era entregue pessoalmente, em espécie, e que nas vezes em que atrasou o repasse, Larissa Campello lhe telefonou exigindo a imediata entrega do dinheiro, usando sempre a seguinte expressão: "Cadê a xerox dos documentos?".
As investigações também mostraram que a servidora Djanira Cruz, secretária de gabinete de Mauro Campello, foi vítima do esquema, tendo sido obrigada a entregar parte de sua remuneração a Clementina Mendes, sogra do desembargador. O fato foi confirmado pela própria Clementina em depoimento a Polícia Federal. Detida na chamada "Operação Pretorium", Clementina reconheceu que recebia metade do salário da secretária do desembargador.
O MPF apurou ainda que Valderlane Maia Martins, agindo de acordo com o esquema montado por Mauro Campello, exigiu de Flávio da Silva Fonseca, motorista do desembargador, o pagamento de parte do valor que ele recebia como seu substituto na chefia de gabinete. "Ao beneficiar-se de parte dos proventos recebidos pelos servidores do TRE ocupantes de cargos em comissão, entregue como condição para a manutenção dos respectivos cargos, os acusados praticaram ato de improbidade administrativa que importa em enriquecimento ilícito, uma vez que obtido mediante exigência de vantagem indevida", destaca a ação contra o desembargador.
"A prática de tais atos ofende frontalmente a moralidade administrativa que se espera de qualquer agente público, quanto mais de um desembargador que ocupa atualmente o cargo de presidente do Tribunal de Justiça", afirma o procurador da República Lauro Coelho Junior, autor da ação.
Se forem condenados, os envolvidos terão de devolver de forma integral e corrigida os valores desviados, estão sujeitos a suspensão dos direitos políticos pelo prazo de dez anos, perda da função pública exercida, além de multa no montante de três vezes o valor obtido ilicitamente.
Ricardo Honorato
Assessor de Comunicação
Procuradoria da República em Roraima
Fone: (95) 623-9642 / 8114-2290
PEC 8 valoriza a colegialidade das decisões do STF...
STF: pessoas não concursadas não podem exercer a substituição de cartórios por mais...
Lula assina MP que tributa aplicações financeiras no exterior...
TJ-BA celebra o centenário da morte de Ruy Barbosa com realização de seminário...
Corregedor do CNJ extrapola poder em suspensão de perfis de juízes das redes sociai...
STF decreta prisão preventiva de investigados por vandalismos, violência e atos ant...
Medida provisória zera PIS e Cofins do setor aéreo...
Comissão do Senado debate e aprova sugestões de mudanças no rito, no alcance e nos ...
STF inicia julgamento sobre regra que posiciona membro do MP ao lado do juiz...
Lei de Direitos Autorais não se aplica à criação de formato gráfico para buscas na ...
Câmara Municipal de Salvador não pode reeleger os seus dirigentes mais de uma vez, ...
Ministro Barroso suspende eficácia imediata do piso salarial da enfermagem e pede e...
Efeitos da reforma da Previdência repercutem no Orçamento do ano que vem...
Supremo retoma sessões plenárias com sessão nesta segunda-feira, às 15h...