Atingido em cheio por depoimentos do acordo de delação premiada da Odebrecht, o presidente Michel Temer traça uma agenda positiva para minimizar o estrago após as denúncias da Lava-Jato e garantir a aprovação de medidas importantes na última semana do ano de funcionamento do Congresso Nacional. O presidente quer lançar, nesta semana, um pacote de medidas econômicas para reverter o pessimismo do mercado, que deve abrir hoje com bolsas em queda e dólar em alta. Ontem, Temer recebeu governistas no Palácio do Jaburu e participou, à noite, de jantar com deputados da base aliada na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), com a presença do ministro da Educação, Mendonça Filho.
Entre os objetivos, estão a aprovação da admissibilidade da PEC da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara (leia a coluna Nas Entrelinhas na página 4) e a aprovação da PEC 55, do teto dos gastos, no Senado, amanhã, nesta que deve ser a última semana de trabalho do Congresso em 2016. Para recuperar a confiança dos investidores, o Planalto quer divulgar um pacote de medidas econômicas de curto prazo, para dar estímulos ao setor produtivo, liberar créditos para micro e pequenas empresas e facilitar a renegociação da dívida de grandes companhias.
Em outra frente, alguns aliados querem anular a delação do ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebretch Carlos Melo Filho, alegando que o processo foi corrompido pelo vazamento. No sábado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, anunciou que pedirá a abertura de investigações sobre o caso.Enquanto isso, Temer quer resolver também o imbróglio em torno da sucessão do ex-ministro Geddel Vieira Lima na Secretaria de Governo, escalando um nome do PSDB para a pasta. Entre os aliados que estiveram com Temer no Palácio do Jaburu neste domingo, está o líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA). O tucano chegou a ser sondado para a pasta, mas o centrão, que reúne cerca de 13 partidos pequenos e médios, se opôs e ameaçou travar votações importantes. Temer segue com a ideia de colocar um integrante do PSDB.
A sucessão de Geddel foi discutida ontem no jantar na casa de Maia, juntamente com a aprovação das medidas.
O nome deverá ser anunciado nesta semana. Antes de ir à casa do presidente da Câmara, Temer reuniu-se com o o secretário-executivo do Programa de Parceria de Investimentos, Moreira Franco, também alvo de denúncias na Lava-Jato.
O governo tenta sair das cordas após o vazamento do depoimento de Carlos Melo Filho, que diz que Temer pediu R$ 10 milhões à companhia, entregues a aliados próximos, inclusive o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, para financiar campanhas do PMDB. E ainda amarga mais um má notícia: reprovação de 51% na mais recente pesquisa Datafolha.
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