As armas de fogo dos policiais brasileiros deverão ser substituídas pela conversa e a proximidade com a comunidade, e as viaturas, por bicicletas. É assim que o governo federal quer que ajam as polícias militar e civil de todo o país. Este é o conceito da polícia comunitária, carro-chefe das políticas federais para o combate à violência reunidas no Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).
“O atual modelo de policiamento é ilusório. Você vê a polícia passando e tem a sensação de segurança, mas não tem segurança", afirma o diretor do Departamento de Pesquisa, Análise de Informação e Desenvolvimento de Recursos Humanos em Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça, Ricardo Balestreri.
Para ele, é necessário substituir essa polícia por uma que dê prioridade ao diálogo com a comunidade, que seja indispensável nas reuniões de moradores. "Um modelo de proximidade com policiais caminhando nas ruas, andando de bicicleta. Mas se o modelo predominante é a viatura, ele passa o dia inteiro na viatura com a janela fechada”.
No novo modelo, a arma de fogo continua sendo usada, mas não será predominante. "Vamos substituir por uma arma não letal, como um rádio comunicador para pedir ajuda”.
De acordo com o diretor, o que mais incomoda o cidadão é a falta de liberdade cotidiana de ir e vir, é ter o seu salário roubado no fim do mês, a filha ameaçada sexualmente, a falta de segurança dentro da sua própria casa. "Esses fenômenos a gente reduz muitíssimo [a partir da adoção do novo modelo de polícia]. Há experiências no Brasil setorizadas que reduziram de 30% a 60% o índice de violência e criminalidade”.
Ele cita um exemplo prático. “Se está havendo roubo de botijão de gás, vamos dar dicas à sociedade do que fazer para diminuir o problema. Ao mesmo tempo, vamos ouvir da sociedade o que ela acha que a polícia precisa fazer”.
Para Balestreri, a polícia comunitária é um excelente exemplo e a polícia precisa voltar a ser exemplo. Ele lembra que a exceção ao novo modelo é o crime organizado. “Evidentemente não é a polícia comunitária que vai acabar com o crime organizado, que tem que ser combatido com tecnologia de repressão qualificada".
Ainda assim, para ele, o que vai reduzir o crime organizado são as ações de investigação de inteligência, como políticas de combate à lavagem de dinheiro, infiltração e identificação dos chefões.
O diretor lembra que o atual modelo de policiamento foi introduzido com o golpe militar em 1964. “O combate à violência não funciona sem respeito aos direitos humanos. Desde 64, temos modelos de policiamento que não são respeitadores, que tentam acabar com a violência através da bordoada, da prisão, da matança. Não dá certo combater os criminosos da mesma forma que eles, do mesmo jeito que eles fazem com a sociedade. A gente se assemelha a eles”.
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