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Servidor recusa proposta do governo e pede reajuste de 33 por cento

23/08/2011 | 7165 pessoas já leram esta notícia. | 24 usuário(s) ON-line nesta página

Os servidores rejeitaram a proposta de reajuste salarial que vai de 2,3 a 31 apresentada pelo governo federal na última sexta-feira. Em plenária da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) realizada na tarde de ontem, os trabalhadores optaram por apresentar uma contraproposta, pedindo aumento linear de 33 para os funcionários de níveis fundamental, médio e superior. Além disso, eles querem que as melhorias a serem concedidas a 420 mil servidores ativos e inativos sejam feitas no vencimento básico, a partir de janeiro de 2012 e não de julho.

No documento entregue pelo secretário de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento, Duvanier Paiva Ferreira, o aumento seria concedido por meio de acréscimo na gratificação de desempenho. "Se for nas gratificações, pela lei, aposentados e pensionistas receberão apenas metade do reajuste, o que é uma discriminação. E mais: o que o governo ofereceu é pouco até mesmo para os ativos. Não vamos aceitar a chantagem de pegar ou largar", afirmou Oton Pereira Neves, secretário-geral do Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF). A contraproposta de 33 foi sugerida, inclusive, pelo próprio Sindsep-DF, que fez assembleia na manhã de ontem para debater o assunto.

Desde abril, os servidores estão travando uma verdadeira batalha com o Ministério do Planejamento. Inicialmente, pediram a extensão da tabela salarial da Lei nº 12.277, que, no ano passado, definiu reajuste de até 78 a economistas, geólogos, estatísticos, engenheiros e arquitetos. O governo, porém, bateu o pé e argumentou que não poderia fazer muito pelos servidores devido à necessidade de ajuste fiscal e, mais recentemente, para se proteger da crise que solapa os Estados Unidos e a Europa.

Benefícios
O governo queria ampliar os benefícios da lei apenas para os servidores de nível superior. Somente na semana passada, e após muito bate-boca, Ferreira decidiu incluir os técnicos e os auxiliares. Mesmo assim, deixou muitos descontentes. "Ninguém gostou da proposta. Ela é insuficiente", resumiu o secretário-geral da Condsef, Josemilton Costa.

Pelo texto oficial, a previsão é de que, em julho do ano que vem, o salário dos funcionários de nível superior suba para R$ 7 mil, o que representará aumento entre 7 e 31, dependendo da carreira. Os trabalhadores de nível intermediário devem receber um valor fixo de R$ 211 (reajuste entre 3,3 e 7,3) e os auxiliares, R$ 105 (reajuste entre 2,3 e 5). A proposta contempla ao menos 12 categorias, entre elas a do Plano Geral de Cargos do Poder Executivo (PGPE). O governo informou que pretende nivelar, de forma gradual, a remuneração das carreiras de nível
superior com a dos servidores atendidos pela lei n.º 12.277/10, que chega a R$ 10.209,50. No entanto, não foi fixado um prazo para se chegar a esse teto.

A Condsef prometeu levar a contraproposta ao Planejamento na noite de ontem. Até o fechamento desta edição, a reunião não havia sido encerrada. Hoje, a partir das 9h, os servidores realizam plenária para dar um rumo às negociações. Amanhã, farão a 4ª Marcha Brasília, na Esplanada dos Ministérios, em defesa da campanha salarial unificada.


Greve nos Correios
Os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) realizam hoje, às 18h30, assembleia no Rio de Janeiro para decidir, em votação, se a categoria entrará em greve. Eles reivindicam reajuste salarial de R$ 400, com piso salarial de R$ 1.635, reposição da inflação de 7,16, além de vale alimentação de R$ 30 por dia ou R$ 810 no mês. Caso aprovada, a previsão é de que a paralisação comece em 14 de setembro.

Fonte Correio Braziliense