Homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar invadiram por volta das 2h10 desta quarta-feira o prédio da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, região central da capital paulista. De acordo com a Assessoria de Imprensa da PM, o objetivo da operação era retirar do local os estudantes que iniciaram por volta das 17h da terça-feira uma ocupação simbólica de 24 horas.
Segundo o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta, a situação estava calma na faculdade até a chegada da polícia. Cerca de 200 jovens foram retirados à força do prédio, enquanto 30 permaneceram no Centro Acadêmico (C.A.) da instituição. Já a Secretaria de Segurança Pública informou que foram retiradas cerca de 400 pessoas do prédio da Faculdade de Direito.
A diretora de comunicação da UNE, Luana Bonone, que resistia no interior do prédio, relatou por celular que a polícia “encurralou os estudantes no C.A.”.
De acordo com um comunicado divulgado pela UNE, a ocupação era pacífica e simbólica, prevista para terminar às 17h desta quarta-feira, conforme negociado com a direção da Faculdade através do Professor Nestor Duarte, vice-diretor.
Tropa de choque na faculdade de direito
A parte dos manifestantes retirada da instituição permaneceu durante cerca de três horas sentada na Rua Riachuelo como forma de protesto antes de ser conduzida ao 1º DP, localizado na Praça da Sé.
Cerca de 30 jovens permaneceram resistindo na sala do C.A. da instituição até às 5h desta quarta, quando negociaram com a polícia e optaram por deixar o local. Eles não foram encaminhados à delegacia.
Neste momento, o prédio da Faculdade de Direito do Largo São Francisco já está totalmente desocupado.
Alunos criticam manifestantes
Em declarações à imprensa, alunos, que foram repentinamente retirados de sala de aula pelos manifestantes, se mostraram revoltados com a ocupação promovida pela União Nacional dos Estudantes (UNE), pelo Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), diretórios acadêmicos e mais outros 20 movimentos, que iniciaram nesta terça-feira a Jornada Nacional de Lutas pela Educação.
A representante da Defensoria Pública no local, Anaí Arantes, defendia o direito dos manifestantes em permanecerem no Centro. Segundo ela, a polícia não pode invadir o espaço. O professor doutor em Direito Penal pela Faculdade de Direito Sérgio Salomão Shecaira também esteve no local e engrossou o discurso de Anaí, exigindo que o Centro não fosse invadido.
Ação do Batalhão de Choque
Um grupo de jovens, que diz ter sido retirado à força enquanto dormia, afirmou que não havia motivo para a operação policial. Eles disseram que os homens do Batalhão de Choque agiram com violência e invadiram a Sala do Estudante, do Centro Acadêmico XI de Agosto. Segundo eles, “a polícia não entrava nesta sala desde a época da ditadura”.
Manifestantes na faculdade de direito
A Polícia Militar, que negociava a desocupação do prédio desde a tarde desta terça-feira, não confirma que houve confrontou ou violência durante a operação. De acordo com o Coronel Álvaro Camilo, os estudantes foram retirados com calma e levados para a delegacia "por precaução aos próprios alunos, à faculdade e à sociedade".
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a invasão foi motivada por um pedido do diretor da unidade, que enviou uma carta solicitando a retirada dos jovens.
De acordo com a SSP, a retirada foi pacífica e os jovens foram levados em ônibus até o 1º DP, na Rua da Glória, na Praça da Sé, em São Paulo. No local, foi realizado um boletim de ocorrência de esbulho possessório, que consiste na invasão de bem imóvel alheio. A polícia garante que não haverá indiciamento.
Na delegacia, 98 pessoas foram identificas e liberadas. A SSP informou que peritos do Instituto Médico Legal (IML) estiveram no local e realizaram exame de corpo de delito nos manifestantes para garantir que nenhum deles tivesse sido agredido.
A operação contou com 69 policias do Batalhão de Choque e da Força Tática.
Jornada pela Educação
A Jornada Nacional de Lutas pela Educação, promovida por movimentos como a União Nacional dos Estudantes (UNE), Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), diretórios acadêmicos e mais outros 20 movimentos, iniciou nesta terça-feira uma ocupação simbólica de 24 horas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Os principais pontos de reivindicações são a regulamentação do ensino privado e a criação de um plano nacional de assistência estudantil. A semana de manifestações vai ser "uma demonstração grande de que a juventude brasileira está disposta a lutar pelas melhorias na educação pela construção de um Brasil mais justo e soberano”, avalia a presidente da UNE, Lúcia Stumpf.
Os jovens estudantes querem chamar atenção do Ministério da Educação e da sociedade e tentam conseguir um diálogo entre as reitorias das universidades privadas. “Então dialogando com a sociedade a gente quer pressionar o governo pelas transformações necessárias na educação”.
O ápice das manifestações deve acontecer na quarta-feira, dia em que estão marcadas dezenas de passeatas pelos centros das principais capitais brasileiras. Neste dia os estudantes de Brasília irão fazer um ato dentro da Câmara dos Deputados, pela aprovação do projeto de lei 6489/06, da UNE e assim “sensibilizar os congressistas para a necessidade de se investir mais dinheiro público na educação superior federal brasileira para que se tome uma iniciativa a partir do congresso nacional de criar um conjunto de leis que regulamente o funcionamento das universidades privadas”.
Segundo Petta, haverá um protesto às 15h, no Largo São Francisco, "em repúdio à invasão dos policiais".
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